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O que correu mal na união europeia?

por Bolinha de Pelo, em 05.07.16

Depois do referendo no Reino Unido sobre a sua saída da união europeia, já se especula pelos cantos sobre um referendo em Portugal.

A triste realidade, é que Portugal não soube sequer “entrar” na união europeia e dificilmente saberá “sair”

Quando Portugal aderiu à união europeia encontrava-se num processo evolutivo, actualmente encontra-se num processo de sobrevivência.

Será coerente e justo apontar o dedo à união europeia pelo estado em que nos encontramos?

Terá algum fundo de verdade, a afirmação de algumas forças politicas, quando afirmam que Portugal não tinha capacidade para competir com grandes economias e por isso se afundou?

A união europeia “abriu-nos” uma porta, concedeu-nos fundos de maneio para que pudéssemos investir,produzir, crescer,e tornarmo-nos num parceiro económico forte e competitivo, e nós fizemos o quê?

Portugal tinha à sua disposição todos os recursos naturais do seu país. Uma enorme e esplêndida zona costeira, um enorme aglomerado de terras, um solo rico,rios, barragens, pastos, e para “fortalecer” todos esses recursos naturais, um clima que lhe permitia usar e abusar desses recursos para proveito próprio. Investir naquilo que a sua terra lhe “oferecia” e concentrar a sua evolução nos sectores que poderiam tornar a sua economia realmente forte, poderosa e competitiva. Agricultura, pesca, pecuária, hotelaria, restauração, turismo...

Portugal reunia as condições geográficas e climáticas para poder progredir e evoluir com a ajuda do fundo europeu se tivesse investido nesses sectores estratégicos, As principais fontes de riqueza do nosso pais.

O que correu mal?

A primeira coisa a correr mal foi o factor “exibicionismo”.

Portugal não quis ser visto pelos parceiros europeus como o “pescador”, o “pastor” ou o “agricultor”, Portugal quis ser visto como o parceiro europeu “estruturalmente” evoluído.

Em que investiu Portugal essa verba que a união europeia lhe concedeu?

Além de grande parte desse verba ter servido para patrocinar a boa vida de algumas entidades,fazer aparecer novos ricos, e contribuir para um maior aumento da corrupção e exibicionismo pessoal, o que nos é visível aos olhos desses fundos que a união europeia nos concedeu?

É-nos visível simplesmente “betão”, “cimento”...Foi nisso que Portugal basicamente investiu. Estradas, auto-estradas, túneis, e...um novo e moderno aeroporto...quase nada que contribuísse para o crescimento da economia, para a criação de novas empresas, novos postos de trabalho.Limitámo-nos a construir e modernizar estruturas. Investimos em sectores sem retorno.

Investimos simplesmente em riqueza pessoal e blocos de cimento.

Patrocinámos o exibicionismo e abrimos as portas à corrupção.

Em vez de gerarmos riqueza para atingir o crescimento, endividámo-nos, e para completar, mais uma vez ,pelo exibicionismo doentio de nos equipararmos aos nossos parceiros europeus, decidimos aderir à moeda única ,quando economicamente já não possuíamos capacidade para tal, e para conseguir suportar a moeda única, o acesso ao credito fácil. Demos o “golpe mortal” em nós próprios.

Actualmente, continuamos a ter ao nosso dispor grande parte desses recursos naturais que o nosso país nos oferece, mas, infelizmente já não possuímos capacidade de investimento para os conseguir fazer prosperar.

O que vemos actualmente no nosso pais?

Vemos um sector piscatório degradado e cada vez com menos meios de sobrevivência, vemos um sector agrário e pecuário a entrar em vias de extinção ,vemo-nos a ser obrigados a comprar ao “lado” produtos que nos poderiam ser fornecidos pelo nosso país, vemos os nossos campos e pastos ao abandono e grande parte do interior e litoral alentejano a ser comprado por entidades privadas, e vermos ao longe serem construídos condomínios turísticos que não nos pertencem. Vemos os novos jovens agrónomos a estudarem e desenvolverem novas formas de agricultura, as quais o nosso país deixou de ter capacidade de patrocinar e actualmente a serem patrocinada por entidades privadas, que vão investindo e enriquecendo com as riquezas naturais do nosso país, que nós não soubemos aproveitar.

Até mesmo no turismo, área em que nos destacamos, e que actualmente é uma das nossas grandes fontes de receita e criação de emprego, o nosso investimento nesse sector encontra-se mal distribuído, detendo a zona costeira algarvia 50% da totalidade do turismo nacional e o resto do país na sua totalidade uma mísera percentagem, quando temos um país que poderia ser “turístico” igualmente de norte a sul e tivemos a oportunidade de o tornar totalmente atractivo, habitável e rentável e não o fizemos.

Debatemos pelos cantos uma possível “saída” ou “permanência” na união europeia, discutimos “prós” e “contras”, no entanto, talvez o cenário mais realista seja a própria união europeia a “expulsar-nos” tomando o nosso país e outros, como “resgate”, porque a realidade é que o brutal endividamento de Portugal e outros países cada vez vão afastando mais a principal finalidade pela qual a união europeia foi criada,construir uma Europa economicamente forte e competitiva e a permanência destes países cada vez mais endividados um dia vai acabar por deixar de ser sustentável, pois, cada vez mais os fundos europeus estão a ser destinados ao “salvamento”, em vez de ao “crescimento” e o capitalismo corrupto acabou por tomar as rédeas, o que faz pensar, o que será de nós quando deixarmos de lhes "servir"???

 

 

 

 

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publicado às 11:56


20 comentários

De A rapariga do autocarro a 08.07.2016 às 11:50

Apesar de muitos se colocarem em bicos dos pés para haver referendo em Portugal sobre a saída, essa saída seria o descalabro de algo que nunca começou bem! Sabemos que não temos "arcaboiço" para levar um trambolhão desses! Claro que nunca devíamos ter entrado logo numa primeira fase, mas estava tudo cego com os Euros!

De Bolinha de Pelo a 09.07.2016 às 12:27

Sim.. e espero que o nosso presidente da republica continue sempre a afastar a hipótese de um referendo cá...É realmente impensável...

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