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O coelho assado da Páscoa....

por Bolinha de Pelo, em 29.03.16

Há 3 anos aconteceu-me uma situação bastante engraçada na altura de Páscoa.

Pessoalmente não sou religiosa, nem tão pouco acredito num Deus superior.

Acredito simplesmente que um dia viveu um homem bastante evoluído para a sua época, chamado Jesus Cristo, um visionário, um homem do “futuro” cujas sábias palavras cada vez lhe iam trazendo mais seguidores e “ameaçava” a grande potência que era o império Romano e todos os valores da época e então foi crucificado.

Na realidade, Jesus Cristo não foi o único visionário a ser “crucificado” através da história. Todos os homens que no seu tempo ousaram pregar verdades, que faziam mudar mentalidades discursando na rua e que conseguiam despertar atenções e ter quem os seguisse eram vistos como uma ameaça perante os valores da sua época e eram “crucificados”, aliás, na nossa sociedade atual ainda se “crucificam” todos aqueles que saem do “rebanho” e conseguem ter quem os ouça e siga, a única diferença é que atualmente as “crucificações” são mais subtis , sem cruzes, guilhotinas ou enforcamentos o que faz que nem sempre nos apercebamos delas,no entanto, devido ao twitter e ao facebook passou a existir uma certa “desvalorização” em relação ao mérito de se ser “seguido” e qualquer "gato pingado" passou a ser seguido nesses sites sociais vá-se lá saber porque...eu tenho 39 seguidores no facebook e 42 seguidores no twiiter e ás vezes dou por mim a pensar “Mas este pessoal segue-me porque???esperam que eu algum dia vá fazer alguma grande revelação???cambada de malucos...

Mas, pessoalmente penso que Jesus Cristo foi um homem comum...sem duvida um “grande” homem comum que nos transmitiu uma mensagem de amor, então, o único “significado” que tiro do dia que Jesus Cristo nasceu e à parte de toda a hipocrisia mais visível na altura de Natal, é a celebração da união com aqueles que verdadeiramente amamos e nos amam , e em relação à Páscoa, como não acredito na ressurreição de Jesus Cristo, tirando os deliciosos ovos de chocolate, sendo eu totalmente “viciada” em chocolates, nem significado lhe consigo atribuir, no entanto, estas duas comemorações, o Natal e a Páscoa e por sua vez também o inicio de ano têm um elemento em comum que me fascina...

a confeção das tradicionais refeições características da época...

Adoro cozinhar, é algo que faço com extrema paixão e estas alturas dão-me sempre a oportunidade de cozinhar a um nível mais” elevado” que os simples e tão básicos cozinhados diários.

O prazer de cozinhar aqueles pratos que no dia-a-dia não cozinhamos devido ao dispendioso tempo de preparo e confeção e também porque são pratos que se destinam a um número mais elevado de pessoas, como o tradicional peru recheado, o tradicional borrego assado no forno, não tendo muito sentido faze-los em pequenas quantidades, e mesmo nas alturas que se faz para um número já considerável de pessoas acaba sempre por sobrar e sobrar, aliás, uma famosa frase que todos dizemos dois dias após estas festas é “Ainda ando a comer peru do Natal” ou “ainda ando a comer borrego do almoço de Páscoa ou do inicio do ano”, então, para mim é sempre um prazer dos prazeres cozinhar estas refeições que me levam dois dias a confecionar entre os temperos e a sua realização...nessas alturas até quase me sinto um “Deus” da cozinha...pecando sem humildade nenhuma, orgulhosamente admiro os meus cozinhados com um certo sentimento de vaidade....

Não existe maior prazer na vida que tudo aquilo que fazemos com amor...

A minha mãe é uma pessoa, que apesar de também não ligar muito à Páscoa pelos motivos religiosos a ela associados dá extrema importância às tradicionais refeições destas épocas, e devido ao meu prazer por cozinhar, sou a “eleita” Para tratar sempre de tudo, desde a compra, passando pelos temperos até à confeção final, no entanto, há 3 anos atrás na altura de Páscoa, não sei onde andava com a cabeça e mesmo ela me tendo avisado com bastante antecedência esqueci-me completamente de comprar o borrego, acabando por só me lembrar no sábado já quase de noite, altura em que corri para o talho mas já não havia borrego, então, em total desespero olhei para os coelhos e pensei...Páscoa...coelhos....vou levar um coelho e faço coelho assado... Ate pensei "bendito o ser que inventou o coelho da Páscoa", então trouxe um coelho o qual batizei de “coelho assado da Páscoa”.

A minha mãe que sempre seguiu à risca a tradição de comer borrego assado não gostou muito da ideia quando lhe apresentei à mesa no almoço de Páscoa o “coelho da Páscoa”, para ser sincera ficou tudo a olhar para o coelho com ar de quem esperava que fosse uma brincadeira minha e que o borrego ainda fosse aparecer na mesa... Na verdade, não me apeteceu assumir que me tinha esquecido e perante toda a gente a reclamar para um lado e para outro resolvi a situação com uma voz mais áspera “Então bolas, não estamos na Páscoa em que há o coelho da Páscoa???o normal deve ser comer-se coelho”..Depois desse comentário calei-me pois os olhares dirigidos a mim não pareciam nada satisfatórios...

Esta Páscoa durante o almoço recordei-a a rir-me desse infeliz “coelho da Páscoa”, mas ela continua a não achar piada, nem esboçou um pequeno sorriso face ao meu comentário e até consegui sentir um certo “ódio” no seu olhar por ao fim de tantos anos lhe ter estragado a tradição, mas, apesar de nunca ir atingir o seu perdão pelo “coelho da Páscoa” de há 3 anos atrás, não é para me gabar mas o borrego que fiz este ano estava fenomenal, e para variar, para cumprir a tradição das “sobras” desta época, hoje ainda vamos comer borrego ao almoço...coitado do coelho da Páscoa de há 3 anos que nem chegou à noite do dia de Páscoa...

E por falar em coelho ainda não percebi o que terá o coelho, os ovos de chocolate e as amêndoas a ver com a crucificação de Jesus Cristo e a sua ressurreição e o que terão os ovos a ver com o coelho

Indo mais longe, também ainda não percebi o que tem o pai Natal, as renas, os presentes e o pinheiro a ver com o nascimento de Jesus Cristo e porquê que o pai Natal aparece num trenó com renas em vez de vir montado num camelo se os 3 reis magos aparecem montados em camelos, e qual a razão para descer pela chaminé em vez de bater à porta para entregar os presentes...

Será que o mesmo ser que inventou toda esta alegoria em relação ao pai Natal foi o mesmo que inventou o coelho, os ovos e as amêndoas da Páscoa?

Não sei, mas sei que toda esta minha descrença em relação a um “Deus”superior, me acaba por dar um certo “descanso” por pensar, se Deus não existe o diabo também não, então, já não existe o perigo de eu ir parar ao inferno pela raiva que sinto cada vez que alguém me pede para dividir um chocolate ou pela minha falta de modéstia a gabar os meus cozinhados...

E hoje fica Jorge Palma com "Imperdoavel"..

 

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publicado às 14:10



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