Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




E não é que existem vegetarianos em part-time????

por Bolinha de Pelo, em 24.03.16

E não é que existem vegetarianos em part-time?

Existem sim...e até têm um nome que os define...os “ flexitarianos” ,que pertencem à “classe” de vegetarianos que seguem o vegetarianismo, mas no entanto concedem a si próprios o direito de poder consumir carne e peixe ou produtos derivados de animais em ocasiões sociais ou em alguma altura que ocasionalmente lhes apeteça...

Atualmente e por diversas razões existem imensas pessoas a adotarem uma dieta vegetariana.

Uns ,porque defendem a dieta vegetariana como uma dieta mais saudável, outros,pela defesa dos animais, outros, pela defesa do ambiente, e outros tantos, por todos esses fatores em conjunto e mais alguns...

Apesar de não ser vegetariana nem vegan, aceito quem o seja, pois cada pessoa tem o direito a seguir o que acredita e o que a faz sentir-se melhor consigo mesmo e perante a sociedade em que está inserido, no entanto, não deixo de pensar que existe uma certa hipocrisia em torno de todas essas “classes” que foram sendo “adicionadas” ao “original” vegetarianismo, pois penso, que todos esses conceitos posteriores acabam por conceder um poder “hipócrita” a cada um de decidir o que é certo ou errado...

Não podemos decidir ,como se fossemos algum tipo de “Deus”, que o sofrimento das galinhas poedeiras, exploradas compulsivamente para meterem ovos, é menor que o sofrrimento do celho quando é abatido para servir de alimento, e podermos tornar aceitável sermos ovolactovegetarianos, que o sacrifício do peixe a morrer sem ar quando é arrancado da água é menor e menos doloroso que o da galinha que se torce o pescoço, o que faz com que sermos pixo-vegetarianos nos concede a inocência perante a morte do peixe, e muito menos nos darmos ao luxo de decidir que ocasionalmente podemos passar para o lado de lá do vegetarianismo em part time, e aceitar que um animal qualquer possa ser “sacrificado” para nosso prazer ocasional, ou desejo momentâneo e deliciarmo-nos com um bom bife de vaca, ou uma costeleta de porco, como se esse porco, ou essa vaca, fossem menos importantes que todos os outros porcos ou vacas que defendemos nas alturas em que nos encontramos no parte do part time em que decidimos que somos vegetarianos, e que o facto de aceitar apenas ocasionalmente a morte de um animal para consumo, e ganhando o nome de flexitarianos, nos torne menos culpados do ato pelo simples facto de ser uma pratica ocasional... Isto é ser hipócrita...

Existe aqui um paradoxo...não podemos “aceitar” factos que “não aceitamos”...não podemos ser algo “pela metade”...quando assumimos uma posição temos que a assumir na sua totalidade e não nos podemos dar ao luxo de ser “meio”, e assumir um papel de uma espécie de “Deus” para decidir que tipo de morte ou sofrimento é mais ou menos cruel.

Decidir ,qual o ser vivo que tem mais valor entre todos os outros,o que pode ou não ser mais digno ou menos digno...mais prejudicial ou menos prejudicial... Quando assumimos uma posição perante uma causa, ou somos ou não somos...

Tirando esse facto, existe algo que condeno totalmente no vegetarianismo e no veganismo, tal como o condeno em outros fatores da vida...o radicalismo cego por parte de algumas pessoas que o praticam, ao ponto de apelidarem como “assassinos e destruidores do ambiente” todos aqueles que o não segue...

Atualmente ,defendem-se imensas causas e concordo que temos que defender todas as causas em que acreditamos, pois, é através da defesa de certas causas que abrimos espaço para uma sociedade melhor e mais justa que por sua vez vão originar as mudanças que vão contribuibuir para a evolução das sociedades, mas seja qual for a causa que defendemos, não nos podemos afastar da racionalidade e da ponderação e nos tornarmos radicalistas/ extremistas em defesa de algo ao ponto de condenarmos em redor todos aqueles que não pensam como nós...

O único direito que temos na vida, é o de exigir que nos aceitem como somos e nos respeitem.

Atualmente, existe um grande radicalismo, coberto por uma total inflexibilidade em varias causas defendidas na sociedade que se “estende” a um grau mais elevado que o simples facto de não aceitar o outro...estende-se a níveis que transpõem os limites da racionalidade e da coerência.

Chegamos a um ponto, que puxar o rabo a um cão na brincadeira ou o simples facto de ensinar o cão a fazer habilidades como dar a pata, sentar é considerado como uma falta de respeito e abuso do bem-estar do cão pelos fanáticos defensores dos direitos dos animais, que vermos um animal abandonado na rua e não o levarmos para casa, é visto como um ato criminoso e de abandono. por esses mesmo fanáticos defensores dos direitos dos animais, que comer carne é visto como um atentado criminoso ao meio ambiente, pelos radicalistas defensores do vegetarianismo, que um negro bater num branco, ou um branco num negro ,ou um heterossexual bater num homossexual ,é visto como um ato racista ,ou homofóbico pelas comunidade de defesa de direitos raciais e homossexuais, que o facto uma mulher não ser aceite num posto de trabalho, é visto pelas comunidades feministas como descriminação em relação ao sexo...atinge-se a incoerência...descarta-se a flexibilidade... e nem se mete a hipótese de que o cão possivelmente levou o puxão no rabo como um sinal de parodia, que não se sente humilhado ou abusado porque o ensinamos a fazer habilidades quando o fazemos de macaco dando-lhe um biscoito em troca de ele se sentar ou dar a pata, que por muito que adoremos animais, nem todos temos condições, ou simplesmente estamos dispostos a transformar a nossa casa num canil ou num gatil, que o negro pode ter batido no branco ou vice-versa, ou o heterossexual no homossexual, simplesmente porque se chatearam, independentemente da cor ou da opção sexual, que uma mulher pode não ter sido aceite num posto de trabalho em detrimento de um homem, simplesmente, porque para o entrevistador o homem por questões puramente profissionais o agradou mais na entrevista que a mulher, e como estes, imensos casos que não são casos, mas são transformados em casos para apoiar causas

A verdade é que estas atitudes radicais, acabam por transformar os cinquenta casos reais que realmente existem em cem casos que na realidade não existem...

Não existem duvidas, existem realmente imensos casos de maus tratos a animais domésticos, de maus tratos a animais de criação para abate, que muitos animais são abatidos em situações extremamente desumanas, que o consumo exagerado de carne é sem duvida prejudicial à saúde e ao ambiente, que existem imensos casos de racismo e de homofobia, que existe ainda muita descriminação das mulheres nos locais de trabalho e mais tantas injustiças socais...não existem duvidas que sim, no entanto o radicalismo inflexível , seguido fanaticamente ao extremo de transformar qualquer situação aleatória num “caso” acaba por lhes uma dimensão que não têm...

Voltando ao assunto do vegetarianismo, eu pessoalmente não penso que a solução ambiental, nem a solução dos maus tratos a animais de campo, seja solucionada através de uma dieta unicamente vegetariana

Em primeiro lugar, penso que se todos aderíssemos ao vegetarianismo ou veganismo o nosso ecossistema entrava em colapso total, além, de que a economia mundial afundaria...obviamente muitas espécies iriam entrar em extinção, pois muito pouca gente, ou quase ninguém iria criar animais de campo como animais de estimação e a verdade é que todas as espécies são essenciais ao equilíbrio do ambiente, pois de alguma forma todas as espécie acabam por ter o seu papel no equilíbrio do ecossistema...

Não existem duvidas que atualmente existe um grave problema ambiental, mas esse problema deve-se sobretudo a exageros e uma grande falta de sensibilização e controlo.

O correto, seria uma maior consciencialização das pessoas para aderirem a um maior numero de consumo de alimentos vegetais, e uma diminuição do consumo exagerado de carne, de forma a existir um consumo sustentável e equilibrado dos bens consumidos.

Em relação aos maus tratos a animais usados como bens alimentares, esse fator deve-se à pouca ou quase nenhuma fiscalização que existe em relação aos produtores e criadores de animais para consumo e às técnicas de abate em matadouros...esse é um fator preocupante sim, pois, qualquer ser vivo, seja ele humano ou animal ,tem direito a ter uma vida e uma morte dignas e se isso não existe deve-se ao facto de as fiscalizações nessas áreas serem negligenciadas, aliadas a uma grande falta de sensibilidade e humanidade por parte de quem cria animais para esse fim, pois por eu criar uma galinha com o objetivo de a comer não quer dizer que só porque a vou comer a vou criar em condições indignas, nem só porque a vou comer, a vou matar à paulada ate ela cair para o lado.

Quando temos noção da realidade perante a falta de consciencialização e humanização que existe, a obrigatoriedade de uma fiscalização apertada não deveria ser negligenciada pelos direitos da defesa desses animais para abate destinados à alimentação...

Economicamente seria sem duvida a extinção dos criadores e produtores de gado, dos talhos, e de todas as atividades a eles associadas, tal como o sector da pesca , peixarias , praças e tudo a elas também associadas, o que, alem de dar origem a uma quebra bastante significativa na economia, iria elevar a taxa de desemprego a níveis astronômicos...

No fundo, Tudo na vida depende de um equilíbrio...ponderação....flexibilidade...

Equilibrio serve para tudo na vida...

....E no fim, acabei por me aperceber de algumas coisa ao lado de uma “flexitariana” que me acompanhava numa deliciosa e soculenta tosta de queijo e fiambre, no seu momento de part time fora do vegetarianismo, ao mesmo tempo que me elucidava sobre o que é ser flexitariano.. apercebi-me, que na vida acabamos por ser todos um tanto “flexitarios”...defensores de causas em part time..afinal, no dia 19 de Março lá apagamos todos as luzes durante 1 hora e a cidade por sua vez também escureceu num gesto de consciencialização e solidariedade para com o ambiente...o nosso part time solidario com a causa, para daqui a uns meses, durante a época festiva natalicia, sairmos em part time da causa, e nos deliciarmos prazerosamente a observar os milhões de luzes acesas que iluminam o mundo nessa altura...discutimos habitos alimentares como certos ou errados quando existe no mundo quem não tenha o que comer....e quem sabe, no que toca ao vegetaranismo radical...talvez seja possível alimentarmos os leões a soja...

1236247_516120475141392_1867720405_n.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:19



Mais sobre mim

foto do autor