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E lá chegou o meu dia de anos...o dia do calendário que mais detesto...
Faz precisamente hoje 5 anos e meio que a minha avó morreu e 3 anos, 3 meses e 3 dias que me interrogo sobre todas as “verdades” da minha vida...
Desde o dia 3 de Maio de 2010 que deixei de “assoprar velas”...
Acho que existem momentos na nossa vida que nos vão acompanhar sempre até ao fim da nossa existência...por mais tempo que passe serão sempre nítidos...tão reais que nem o factor tempo os faz sumir...ficarem minimamente indecifráveis...darem-nos a oportunidade de os recordarmos sumidamente como tantas outras coisas...
Recordo-me como se fosse hoje do dia em que o meu pai me ligou a dizer que a minha avó tinha morrido e da estranha sensação que senti...alivio pelo final inalterável tão temido e torturante e ao mesmo tempo uma das piores sensações de vazio da minha vida
..Esperei 15 dias por esse telefonema...
É irónico, mas quando alguém está a morrer temos sempre a ideia que vai ser durante a noite...que vamos receber a noticia de manhã...nesses 15 dias todas as manhas ligava para a minha tia a tremer para saber se ela já tinha ligado para o hospital...sempre com medo da resposta...
Desejava o final e ao mesmo tempo que não terminasse...é um sentimento indecifrável...tanto desejamos que termine aquele “inevitável” e ao mesmo tempo receamos o vazio desse final...
Toda esta espécie de “terror” indecifrável que me acompanhava todas as manhãs acabou por ser irónico, porque a minha avó acabou por morrer às 19 horas da tarde..num momento em que eu me sentia minimamente descontraída...
A ultima vez que tinha visto a minha avó tinha sido á 15 dias atrás, na tarde antes dela entrar no primeiro estado de coma...como sempre despedi-me dela a chorar e a ultima frase que ela me disse ao mesmo tempo que me beijava a mão e o braço foi “Sais sempre de ao pé da avó a chorar...a avó fica tão triste”...desde esse dia cobardemente nunca mais tive coragem de a ir ver...acho que foi a atitude mais cobarde da minha vida...devia-lhe esses últimos momentos...
Quando o meu pai me ligou a dizer que a minha avó tinha morrido o primeiro pensamento que me ocorreu foi “Como vou sobreviver sem a minha avó?”...
Na realidade sobrevivi...tal como pensei que a minha mãe nunca ia sobreviver sem o meu pai...também sobreviveu...e desde á 3 anos, 3 meses e 3 dias em que me apercebi que toda a minha vida foi uma mentira, depois das duas pessoas que tanto amei mostrarem uma face que não conhecia e que ainda hoje me pergunto quais as razões... Também sobrevivi....
 
Na realidade sobrevivemos sempre ao pior de tudo...a sobrevivência não é opcional...não temos outra alternativa...é-nos imposta e temos que a aceitar..e...se o meu dia de anos passou a ser marcado por esse dia 3 de Maio em que me passou a faltar a coragem para conseguir “assoprar alguma vela” como forma de celebração, estes 3 últimos anos fizeram-no perder todo o sentido..mas ainda acredito que algum dia possa vir a ter algum significado....no dia que eu conseguir deixar de sobreviver e conseguir ultrapassar....

 

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publicado às 16:51



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