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Tudo uma grande treta

por Bolinha de Pelo, em 25.07.16

E vou a passar pelo chafariz do meu bairro e oiço um “ser” a gritar “apanhei dois pokémons em cima do chafariz”...E assim, o chafariz do bairro onde vivo que habitualmente é invadido por drogados e bêbados, foi invadido por pokémons e por “caçadores” de pokémons, e, quando  as únicas coisas que se costumavam “apanhar”em seu redor eram garrafas de cerveja , bocados de vidros e beatas de charros, agora também se passaram a apanhar pokémons...

Toma uma pessoa caixas e caixas de haldol, mais sei lá quantas quantidades de lítio e pelo meio, a treta de uma série de consultas de psiquiatria em tentativas frustradas de deixar de ver coisas que não existem e de conseguir coabitar o mais normal possível com os seres que a rodeiam, num esforço doido de disfarçar do mundo a sua “anormalidade”  e esbarra de frente com uma multidão feliz da vida que corre de tlm na mão atrás de seres virtuais pelas ruas da cidade a apregoar em alta voz cada ser imaginário que avista......

...E depois de toda esta esquizofrenia colectiva solta pelo mundo atrás de um boneco virtual, mas longe de se sentar na cadeira do psiquiatra a explicar as suas corridas loucas pelas ruas da cidade atrás desse ser imaginário, passamos para a bipolaridade colectiva ...passamos de um Portugal enlouquecido que durante o europeu de futebol quase “elegeu” Cristiano Ronaldo como um "Deus" e agora se sente incomodada por o governo da Madeira dar o seu nome ao aeroporto..

Na verdade, não sei se existe alguém mais “habilitado” para receber essa espécie de homenagem, mas, se formos por associação de ideias será mais lógico dar-se o nome de Cristiano Ronaldo ao aeroporto da Madeira pela visibilidade que a sua fama trouxe ao arquipélago,fazendo-o “viajar” pelo mundo, afinal ,a fama de Cristiano Ronaldo “abriu as portas”do arquipélago ao mundo , do que o nome de João Paulo ll ao aeroporto de Ponta Delgada nos Açores unicamente devido à sua passagem por lá em 1991...

Pessoalmente, não gosto de futebol, mas analisando o “homem” por trás do futebol, quer gostemos ou não de futebol, quer simpatizemos ou não com Cristiano Ronaldo a verdade é que temos que reconhecer algum mérito ao homem, nem que seja só pelo ser humano que é.

Se esse mérito lhe dá o direito a ter um aeroporto com o seu nome, não sei, mas sei que deve ser mais reconfortante aterrar num aeroporto cujo nome está ligado a tantas causas sociais do que num cujo nome ainda se encontra a navegar em escândalos ligados à pedófila como é o caso do Papa João Paulo II . .

Na verdade, nem percebo bem o porquê de tanta "conversa" em torno do nome de um aeroporto, quando temos tanta dificuldade em arranjar “candidatos habilitados”, afinal, só desde Maio deste ano é que o aeroporto da portela ganhou oficialmente o nome de aeroporto Humberto Delgado , e, se o avião em que Sá carneiro ia não se tem “estampado”  no trajecto de Lisboa ao Porto sua terra natal, talvez o aeroporto do Porto ainda se chamasse aeroporto do Porto ou Pedras Rubras,  tal como o aeroporto de Faro ainda se chama somente aeroporto de Faro...

Talvez, se as pessoas se deixassem de importar com factos tão mesquinhos conseguissem ser um pouco mais felizes...talvez tudo fosse mais fácil se eu me dedicasse a caçar pokémons...

 

 

 

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publicado às 19:03


O que correu mal na união europeia?

por Bolinha de Pelo, em 05.07.16

Depois do referendo no Reino Unido sobre a sua saída da união europeia, já se especula pelos cantos sobre um referendo em Portugal.

A triste realidade, é que Portugal não soube sequer “entrar” na união europeia e dificilmente saberá “sair”

Quando Portugal aderiu à união europeia encontrava-se num processo evolutivo, actualmente encontra-se num processo de sobrevivência.

Será coerente e justo apontar o dedo à união europeia pelo estado em que nos encontramos?

Terá algum fundo de verdade, a afirmação de algumas forças politicas, quando afirmam que Portugal não tinha capacidade para competir com grandes economias e por isso se afundou?

A união europeia “abriu-nos” uma porta, concedeu-nos fundos de maneio para que pudéssemos investir,produzir, crescer,e tornarmo-nos num parceiro económico forte e competitivo, e nós fizemos o quê?

Portugal tinha à sua disposição todos os recursos naturais do seu país. Uma enorme e esplêndida zona costeira, um enorme aglomerado de terras, um solo rico,rios, barragens, pastos, e para “fortalecer” todos esses recursos naturais, um clima que lhe permitia usar e abusar desses recursos para proveito próprio. Investir naquilo que a sua terra lhe “oferecia” e concentrar a sua evolução nos sectores que poderiam tornar a sua economia realmente forte, poderosa e competitiva. Agricultura, pesca, pecuária, hotelaria, restauração, turismo...

Portugal reunia as condições geográficas e climáticas para poder progredir e evoluir com a ajuda do fundo europeu se tivesse investido nesses sectores estratégicos, As principais fontes de riqueza do nosso pais.

O que correu mal?

A primeira coisa a correr mal foi o factor “exibicionismo”.

Portugal não quis ser visto pelos parceiros europeus como o “pescador”, o “pastor” ou o “agricultor”, Portugal quis ser visto como o parceiro europeu “estruturalmente” evoluído.

Em que investiu Portugal essa verba que a união europeia lhe concedeu?

Além de grande parte desse verba ter servido para patrocinar a boa vida de algumas entidades,fazer aparecer novos ricos, e contribuir para um maior aumento da corrupção e exibicionismo pessoal, o que nos é visível aos olhos desses fundos que a união europeia nos concedeu?

É-nos visível simplesmente “betão”, “cimento”...Foi nisso que Portugal basicamente investiu. Estradas, auto-estradas, túneis, e...um novo e moderno aeroporto...quase nada que contribuísse para o crescimento da economia, para a criação de novas empresas, novos postos de trabalho.Limitámo-nos a construir e modernizar estruturas. Investimos em sectores sem retorno.

Investimos simplesmente em riqueza pessoal e blocos de cimento.

Patrocinámos o exibicionismo e abrimos as portas à corrupção.

Em vez de gerarmos riqueza para atingir o crescimento, endividámo-nos, e para completar, mais uma vez ,pelo exibicionismo doentio de nos equipararmos aos nossos parceiros europeus, decidimos aderir à moeda única ,quando economicamente já não possuíamos capacidade para tal, e para conseguir suportar a moeda única, o acesso ao credito fácil. Demos o “golpe mortal” em nós próprios.

Actualmente, continuamos a ter ao nosso dispor grande parte desses recursos naturais que o nosso país nos oferece, mas, infelizmente já não possuímos capacidade de investimento para os conseguir fazer prosperar.

O que vemos actualmente no nosso pais?

Vemos um sector piscatório degradado e cada vez com menos meios de sobrevivência, vemos um sector agrário e pecuário a entrar em vias de extinção ,vemo-nos a ser obrigados a comprar ao “lado” produtos que nos poderiam ser fornecidos pelo nosso país, vemos os nossos campos e pastos ao abandono e grande parte do interior e litoral alentejano a ser comprado por entidades privadas, e vermos ao longe serem construídos condomínios turísticos que não nos pertencem. Vemos os novos jovens agrónomos a estudarem e desenvolverem novas formas de agricultura, as quais o nosso país deixou de ter capacidade de patrocinar e actualmente a serem patrocinada por entidades privadas, que vão investindo e enriquecendo com as riquezas naturais do nosso país, que nós não soubemos aproveitar.

Até mesmo no turismo, área em que nos destacamos, e que actualmente é uma das nossas grandes fontes de receita e criação de emprego, o nosso investimento nesse sector encontra-se mal distribuído, detendo a zona costeira algarvia 50% da totalidade do turismo nacional e o resto do país na sua totalidade uma mísera percentagem, quando temos um país que poderia ser “turístico” igualmente de norte a sul e tivemos a oportunidade de o tornar totalmente atractivo, habitável e rentável e não o fizemos.

Debatemos pelos cantos uma possível “saída” ou “permanência” na união europeia, discutimos “prós” e “contras”, no entanto, talvez o cenário mais realista seja a própria união europeia a “expulsar-nos” tomando o nosso país e outros, como “resgate”, porque a realidade é que o brutal endividamento de Portugal e outros países cada vez vão afastando mais a principal finalidade pela qual a união europeia foi criada,construir uma Europa economicamente forte e competitiva e a permanência destes países cada vez mais endividados um dia vai acabar por deixar de ser sustentável, pois, cada vez mais os fundos europeus estão a ser destinados ao “salvamento”, em vez de ao “crescimento” e o capitalismo corrupto acabou por tomar as rédeas, o que faz pensar, o que será de nós quando deixarmos de lhes "servir"???

 

 

 

 

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publicado às 11:56


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